
Mais uma vez reinicia um ciclo: Teremos 365 dias, para viver nossos sonhos, esperanças, alegrias e desilusões. Mas, como entende e interage o homem com essa dimensão, sobre a qual não tem qualquer controle?
Os gregos da antiguidade possuíam três palavras para designar o tempo: Aion, Kronos e Kairós.
Aion referia-se aquele período incomensurável, desmedido, o tempo divino, que existe desde que a vida começou. Diante dele, tomamos consciência de nossa pequenez e fragilidade. Somos uma nanoscópica partícula compondo o imenso mar da vida! Esse tempo nos exihe, no mínimo, humildade e reflexão. Não há como cultivar nele, qualquer tipo de ego, muito menos, o exacerbado, que, em nossa total ignorância nos torna centros do universo. Que universo?
Já Kairós é aquele instante dentro do tempo em que somos presenteados com oportunidades únicas que, se não estivermos atentos, antenados, sintonizados na freqüência exata, deixamos passar para o nunca mais: Uma estrela cadente e a esperança de conseguir o desejo formulado, um feixe de luz entre as samambaias que se reflete em nossa alma, a inspiração para um poema que nos toca e se esvai, a visualização da cauda do cometa que só retornará no próximo milênio...
E chegamos ao Kronos, o tempo devorador, o tempo datado, escasso, cruel, que passa e nos arrasta atrás de si. Nos governa com suas horas, minutos e segundos que nos empurram, sem cessar, para o capítulo final de nossa existência humana. A cada ano, nós festejamos Kronos. Ele vem sempre, metaforicamente, travestido de criança feliz, cheia de vida e energia e sai de cena como o ancião de longas barbas brancas apoiado em seu cajado, carregando consigo, apenas, as lembranças do que viveu. E essa imagem, tão rica em significados, passa por nós, a deriva, a cada final de ciclo de 365 dias: Tempo em que a terra completa uma volta inteira em torno do sol. Tempo em que acontecem as quatro estações, fora e dentro de nós. Tempo de semeaduras e colheitas. Tempo de enchentes e de estiagens. Tempo de viver a nossa própria medida de acertos e erros com responsabilidade e energias renovadas. Afinal, o que é Kronos, frente a magnitude e exuberância de Aion?
Treinemos, pois, a felicidade em 2011. Ela é única medida que vale todo o nosso esforço.




